quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Diretor Terry Gilliam explica como superou a morte de Heath Ledger e concluiu 'O imaginário do Dr. Parnassus'




Por causa de Tony - o personagem, não o político -, "O imaginário." talvez tenha sido o primeiro filme de Gilliam em duas décadas que não foi badalado simplesmente por ser um filme de Gilliam. O que mais se comenta é a presença de Heath Ledger em seu último papel no cinema. Quando o ator morreu, em 22 de janeiro de 2008, vítima do uso excessivo de medicamentos, ele estava justamente descansando, em casa, durante um intervalo das filmagens de "O imaginário...".

Gilliam soube da fatalidade pela internet, avisado por sua filha Amy Gilliam, uma das produtoras do filme. Eles esperavam rodar novas cenas com Ledger em poucos dias, mas o choque foi ainda maior porque o diretor e o ator haviam estreitado laços de amizade desde que trabalharam juntos em "Os Irmãos Grimm" (2005). Gilliam, então, resolveu não levar "O imaginário..." adiante.

- Eu simplesmente não acreditei, nós havíamos estado juntos dois dias antes. Fiquei paralisado, era uma notícia inesperada e inexplicável. Eu até achei que poderia ser uma piada de mau gosto de alguém do departamento de marketing da Warner, querendo promover o Coringa ( personagem de Ledger em "Batman: O Cavaleiro das Trevas"). Mas realmente aconteceu. Ele está morto - diz. - Minha vontade, naquele momento, era de desistir. Mas o bom de estar cercado por pessoas como minha filha e o fotógrafo Nicola Pecorini é que eles não ouvem o que tenho a dizer. Eu anunciei que não iríamos continuar, mas eles se recusaram a aceitar e insistiram para que eu achasse uma solução que evitasse que o último trabalho do Heath se perdesse e fosse esquecido.

Pelo papel em "Batman", que estreou poucos meses depois de sua morte, Ledger recebeu um Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante. Já pelo contratempo enfrentado por Gilliam, o ator acabou tendo a companhia de Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel, os três atores que se revezaram com ele no papel de Tony em "O imaginário...". Além disso, nos créditos finais, em vez de o tradicional "Um filme de Terry Gilliam" surge o texto "Um filme de Heath Ledger e amigos".

- A partir do momento em que minha mente voltou do espaço, foi até simples reescrever. Eu parti do princípio de que, se Tony entrasse no espelho com outra pessoa cuja imaginação fosse mais forte, ele poderia parecer diferente. Poderia parecer o Johnny Depp e não o Heath Ledger. Acho que funcionou - diz Gilliam. - Muita gente acha que alguns diálogos, como quando o Johnny faz um discurso sobre James Dean e a Princesa Diana, foram reescritos por causa do Heath. Mas estava tudo previsto. A cena em que ele aparece enforcado, por exemplo, foi a primeira que filmamos.

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